Estamos a testemunhar a profecia de São João Paulo II sobre a “anti-Igreja” – afirma sacerdote católico

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Relâmpago atinge o Vaticano, a 11 de fevereiro, poucas horas depois de Bento XVI ter anunciado a sua resignação – LifeSiteNews

Por Pete Baklinski

ROMA, 19 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – A advertência profética de São João Paulo II sobre o aparecimento de uma “anti-Igreja” que prega um “anti-Evangelho” é hoje cumprida por líderes dentro da Igreja Católica, mesmo nos mais altos níveis, declarou hoje um padre numa palestra proferida durante uma conferência em Roma.

O Pe. Linus Clovis, da Family Life International [organização católica de defesa da família],  afirmou no seu discurso no Fórum pela Vida, em Roma, organizado pela Voice of the Family [Voz da Família], que o anti-Evangelho da anti-Igreja é muitas vezes “indistinguível da ideologia secular, que reverteu tanto a lei natural como os Dez Mandamentos.”

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Pe. Linus Clovis no Fórum da Vida, Roma, 2015 – LifeSiteNews

“Este anti-Evangelho, que procura dirigir a vontade do indivíduo para o consumo, para o prazer e para o poder em detrimento da vontade de Deus, foi rejeitado por Cristo nas tentações do deserto. Disfarçado de direitos humanos, reapareceu, com toda a sua arrogância luciferina, para promulgar uma atitude narcisista e hedonista que rejeita qualquer restrição, exceto as impostas por leis humanas”, disse ele.

Durante sua visita à América, há 41 anos, o cardeal Karol Wojtyla, arcebispo de Cracóvia, que dois anos mais tarde se tornaria Papa João Paulo II, transmitiu a sua mensagem profética, em Filadélfia, por ocasião do aniversário bicentenário da independência americana. Wojtyla dizia então:

Estamos agora diante do maior confronto histórico que a humanidade jamais atravessou. Não creio que grandes círculos da sociedade americana ou grandes círculos da comunidade cristã percebam isso completamente. Estamos agora a travar o confronto final entre a Igreja e a anti-Igreja, do Evangelho contra o anti-Evangelho.

Temos de estar preparados para sofrer grandes provações num futuro não muito distante; provações que requerem a prontidão para abdicar até mesmo das nossas vidas e uma entrega total de nós mesmos a Cristo e por Cristo. Através das vossas e das minhas orações, é possível aliviar esta tribulação, mas já não é possível evitá-la… Quantas vezes a renovação da Igreja proveio do sangue? Desta vez não será diferente.

Clovis explicou que, enquanto a ascensão da anti-Igreja tem vindo a acontecer de forma lenta mas sólida nas últimas décadas, a sua emergência tem sido especialmente percetível nos últimos anos.

“Durante o último meio-século, tem havido uma crise crescente na Igreja, decorrente tanto da falta de ensinamentos claros e inequívocos, como do clima de dissidência entre os sacerdotes, religiosos e leigos. Dentro da Igreja contemporânea, a crise atingiu um ponto de ebulição, senão mesmo de rutura, pela rejeição do paradigma sim/não de Nosso Senhor e pelo enfraquecimento de posições doutrinárias estabelecidas através de práticas pastorais inconstantes”, disse ele.

Ele observou que existe um sentimento entre os fiéis católicos de que “as coisas eclesiásticas e católicas estão a desmoronar-se e uma anarquia pastoral foi lançada sobre a Igreja”. Fez saber que existe um “exercício oculto do poder”, atualmente em funcionamento dentro da Igreja, que fomenta essa anarquia.

Consegue reformar o processo de anulação do casamento sem a habitual consulta dos respetivos dicastérios romanos; emitir uma ampla e mordaz repreensão à Cúria Romana num discurso de Natal; limpar a composição de um dicastério, o que efetivamente invalida a influência do seu prefeito, que se opôs firmemente às inovações que prejudicam os ensinamentos sobre o casamento e os princípios da liturgia; atacar os Frades Franciscanos da Imaculada; e encerrar o campus de Melbourne do Instituto João Paulo II.

Clovis explicou que o apoio ao aparecimento da anti-Igreja é um ataque direto ao próprio “pilar da criação” e ao fundamento da ordem social, nomeadamente, a verdade sobre a relação entre o homem e a mulher expressa no casamento e na família. Lembrou como a Irmã Lúcia, uma das videntes de Fátima, dissera uma vez que “a batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o casamento e a família”.

“É bem sabido que qualquer adulteração de uma pedra angular arrisca o colapso de todo o edifício”, disse ele. “A pedra angular, a célula básica da sociedade é o casamento e a família”.

E a anti-Igreja está a trabalhar tanto quanto pode para minar essa pedra angular.

“Através da aceitação tácita da contraceção e do divórcio, do recente abraço misericordioso aos divorciados civilmente recasados ​​e do benigno assentimento ao casamento homossexual, a pedra angular foi adulterada e o ponto ómega foi atingido”, explicou Clovis.

Ele observou como o secularismo ateu que alimenta a anti-Igreja tem “trabalhado para a falência da família, sendo o seu espírito impulsionador, a ideologia LGBT; a sua face pública, a correção política, o seu vestido de domingo, a inclusividade e o não-julgamento“.

Ele advertiu os católicos como a anti-Igreja tentará enganar os fiéis, fazendo-se passar pela a verdadeira Igreja.

É claro que a Igreja Católica e a anti-Igreja coexistem no mesmo espaço sacramental, litúrgico e jurídico. Esta última, tendo crescido, está agora a tentar passar-se pela verdadeira Igreja, fazendo o que pode para tentar induzir ou forçar os fiéis a tornarem-se adeptos, promotores e defensores de uma ideologia secular.

Se a anti-Igreja conseguir dominar todo o espaço da verdadeira Igreja, os direitos do homem suplantarão os direitos de Deus, através da profanação dos sacramentos, da profanação do santuário e do abuso do poder apostólico.

Então, os políticos que votam a favor do aborto e do casamento homossexual serão bem-vindos nas filas para Comunhão; maridos e esposas que abandonaram os seus cônjuges e filhos, para terem relações adúlteras, serão admitidos aos sacramentos; sacerdotes e teólogos que rejeitam publicamente a doutrina e a moral católica terão liberdade para exercer o ministério e promover a dissidência, enquanto os fiéis católicos serão marginalizados, caluniados e desacreditados. Deste modo, a anti-Igreja consegue alcançar seu objetivo de destronar a Deus como Criador, Salvador e Santificador, para O substituir pelo homem, o auto-criador, o auto-salvador e o auto-santificador.

Clovis disse ainda que a anti-Igreja trabalha para alcançar o seu objetivo de superar a verdadeira Igreja, intimidando os fiéis à submissão, incluindo leigos, sacerdotes e bispos.

Na prossecução dos seus objetivos, a anti-Igreja, em colaboração com os poderes seculares, recorre à lei e aos meios de comunicação para intimidar a verdadeira Igreja à submissão. Através do uso hábil dos média, os ativistas da anti-Igreja conseguiram submeter ao silêncio os bispos, o clero e a maioria da imprensa católica. Da mesma forma, os leigos estão aterrorizados pelo medo da hostilidade, do ridículo e do ódio que receberiam se fizessem frente à imposição da ideologia LGBT.

Por exemplo, em 2015, a congregação de São Nicolau de Myra, na Arquidiocese de Dublin, aplaudiu de pé o seu pároco quando este declarou, a partir do púlpito, que era gay e os exortou a apoiar o casamento homossexual no referendo irlandês. Não é difícil imaginar o tipo de tratamento que um opositor teria recebido. Portanto, a ação da influência opressiva da anti-Igreja é mais evidente quando uma pessoa, dentro da sua comunidade paroquial, tem receio de defender abertamente a revelação de Deus a respeito da homossexualidade, do aborto ou da contraceção.

Os adeptos da anti-Igreja apostam principalmente nos sacerdotes e nos bispos para prosseguirem o rumo do anti-Evangelho, sabendo que estes, uma vez submissos, podem influenciar inúmeras almas longe da verdadeira Igreja.

Os sacerdotes e os bispos são os líderes imediatos e mais naturais dos leigos e, acima de tudo, são apanhados no crescente espectro de medo gerado pela anti-Igreja. Além disso, por causa do seu voto clerical de respeito e obediência, o seu medo, sendo reverente, é fortemente agravado, especialmente quando veem a sua classe dividida; a sua unidade quebrada; a constante disciplina sacramental violada; a lei canónica ignorada; o seu espírito de evangelização descartado como proselitismo e um disparate.

No que diz respeito às suas pessoas, são rotulados como pequenos monstros que atiram pedras aos pecadores, ou que reduzem o sacramento da reconciliação a uma câmara de tortura, ou que se escondem atrás dos ensinamentos da Igreja sentados na cadeira de Moisés e que julgam por vezes com superioridade e superficialidade.

Como filhos da Igreja, eles veem-se menos merecedores de um abraço papal do que a arqui-abortista italiana Emma Bonino e ainda menos dignos de reabilitação do que o famoso falso profeta, defensor do aborto e da população global, Paul Ehrlich.

Como sacerdotes, é-lhes dito que devem pedir desculpa aos gays e que a “grande maioria” dos casamentos católicos por eles abençoados são inválidos; além disso, são apelidados de recitadores de orações e, por considerarem importante a ida à Missa e a confissão frequente, são chamados de pelagianos.

Como católicos, e sabendo que os Cinco Primeiros Sábados foram pedidos em reparação das blasfémias cometidas contra Nossa Senhora, são pessoalmente confrontados com reflexões indecentes tais como, no Calvário, onde Ela se tornou a Mãe de todos os redimidos por Cristo, a Santíssima Virgem de Fátima talvez, no Seu coração, desejou dizer ao Senhor: “Mentiras! Mentiras! Eu fui enganada.” Como “as árvores da floresta tremem diante do vento”, assim os corações dos clérigos tremem de medo perante a possibilidade de estarem a ser mais católicos do que o Papa!

Clovis classificou a influência do Papa Francisco dentro da Igreja como uma “grande e verdadeira bênção”, uma vez que os ambíguos ensinamentos papais permitiram que a anti-Igreja emergisse das sombras de forma visível e clara para todos os fiéis. Isso coloca agora os fiéis perante uma escolha clara sobre qual mestre irão seguir.

“Há mais de cem anos que se desenrola um conflito oculto na Igreja: um conflito explicitamente revelado ao Papa Leão XIII, parcialmente contido por São Pio X e desencadeado no Concílio Vaticano II. Sob Francisco, o primeiro Papa jesuíta, o primeiro Papa das Américas e o primeiro Papa cuja ordenação sacerdotal seguiu o Novo Rito, este conflito chegou ao seu máximo, com o potencial de tornar a Igreja menor, mas mais fiel”, afirmou.

Disse ainda que a mais recente exortação de Francisco Amoris Laetitia é um exemplo de uma força exercida hoje dentro da Igreja que ajuda a estabelecer a linha divisória entre a anti-Igreja e a verdadeira Igreja de Jesus Cristo.

“A Exortação Apostólica Amoris Laetitia é o catalisador que dividiu não apenas os bispos e as Conferências Episcopais uns contra os outros, mas também os sacerdotes contra os seus bispos e contra os outros sacerdotes e os leigos, ansiosos e confusos”, afirmou o sacerdote.

“Como um cavalo de Troia, a Amoris Laetitia lança ruína espiritual por toda a Igreja. Como num desafio para um duelo, ela exige a coragem para superar o medo. De uma forma ou de outra, está agora pronta para separar a anti-Igreja, referida por São João Paulo II, da Igreja fundada por Cristo. À medida que a separação começa a acontecer, cada um de nós, tal como os anjos, terá de decidir por si mesmo se prefere estar errado com Lúcifer ou certo sem ele”, acrescentou.

Clovis relacionou as suas ideias principais com o 100.º aniversário das aparições de Nossa Senhora em Fátima. Lembrou que Ela “propôs uma estratégia que, sendo adotada, garantiria a salvação de um grande número de almas”.

“A estratégia exigia que, para «apaziguar Deus, que já estava tão ofendido», três condições importantes deveriam ser satisfeitas, a saber, uma reforma dos costumes com plena adesão às leis naturais e divinas, a devoção aos Cinco Primeiros Sábados e a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”, afirmou.

“Então, para enfatizar ainda mais os perigosos dos tempos que se aproximavam, a Virgem, com preocupação materna, alertou para as consequências de ignorar Sua mensagem: as guerras, a Rússia espalhando seus erros, a perseguição da Igreja e do Santo Padre. Ainda assim, Ela concluiu a Sua mensagem com um sinal de esperança: «por fim, o meu Imaculado Coração triunfará e será dado ao mundo um tempo de paz»”, acrescentou.

Clovis lembrou que os católicos que procuram ser fiéis a Cristo e à Igreja por Ele fundada não precisam de ter medo da atual turbulência a que estão a assistir.

“No Batismo, tornámo-nos membros da Igreja Militante e, na Confirmação, soldados de Cristo; fomos portanto recrutados e armados para um combate mortal contra os três implacáveis ​​inimigos das nossas almas: o mundo, a carne e o diabo”, disse ele.

“Reconhecendo isso «não é contra os seres humanos que temos de lutar, mas contra os Principados, as Autoridades, os Dominadores deste mundo de trevas, e contra os espíritos do mal que estão nos céus», lutamos como os Apóstolos, tomando os mártires por nossos modelos e o próprio Cristo Jesus como nossa recompensa”, acrescentou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 18 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Pe. Linus Clovis, em Roma, no Fórum da Vida de 2015:

O Pe. Linus Clovis é um sacerdote da arquidiocese de Castries, em Santa Lúcia, um pequeno estado insular no arquipélago das Antilhas (Índias Ocidentais), no Mar das Caraíbas.

Basto 5/2017

One thought on “Estamos a testemunhar a profecia de São João Paulo II sobre a “anti-Igreja” – afirma sacerdote católico

  1. Está à vista que sim, passa-se alguma coisa. Continuemos a fazer a nossa parte.

    Graças a Deus que vamos vendo membros da Igreja fieis à Fé de sempre.

    Como o Cardeal Robert Sarah no livro A força do silêncio Cap.III-257 “…é esta a minha esperança: se Deus quiser, quando Ele quiser e como Ele quiser, fazer-se-á a reforma da reforma da liturgia. Apesar do ranger de dentes, ela sucederá, porque tem a haver com o futuro da Igreja. Estragar a liturgia é estragar a nossa relação com Deus e a expressão concreta da nossa fé crista.”

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