Carta Pastoral do Sínodo dos Bispos da Igreja Greco-Católica Ucraniana em 2022

“Vencer o mal com o bem!” (Romanos 12:21) Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos. (João 15:13).

Amados em Cristo!

Pelo quinto mês, uma guerra brutal e em larga escala está a ser travada em solo ucraniano. Veio em 2014 sem ser convidada, insidiosa e, a partir de 24 de fevereiro, o inimigo deixou cair todas as suas máscaras anteriores e para abertamente destruir a Ucrânia.

O exército russo mata inocentes e viola os indefesos, sequestra crianças e deporta os habitantes dos territórios ocupados, tortura prisioneiros e faz passar fome os sitiados, rouba os cereais que plantamos e saqueia nossas casas, anexa terras e destrói empreendimentos confiscados, incendeia cidades pacíficas e aterroriza moradores. A liderança russa procura destruir o Estado Ucraniano e despojar-nos do nosso nome. “Os teus olhos e o teu coração apenas procuram satisfazer a tua cobiça, derramar sangue inocente
e exercer a opressão e a violência. (Jr 22:17). Como no século XX, o território da nossa Pátria transformou-se novamente em “terras sangrentas”.

Condenamos veementemente esta guerra! Porque “o Senhor abomina a conduta do ímpio” (Pv 15:9). O mundo tem a obrigação moral de reverter essa agressão contra a Ucrânia!

As intenções do agressor são claramente genocidas: desde os primeiros dias, as táticas de guerra mostram que ele não está a lutar contra o exército, mas contra o povo. A Rússia está a tentar satisfazer os seus apetites imperiais: a sua liderança considera a Ucrânia uma colónia, um não-estado que não merece um lugar no mapa político do mundo. Para ser grande, um império precisa de colónias – terras escravizadas, conquistadas, recursos, escravos. A lógica genocida colonial dita estratégias de terra queimada, que não poupam nada nem ninguém. Não há nada sagrado – nem o idoso, nem a mulher grávida, nem o bebé na maternidade, nem as crianças escondidas no teatro. Não reconhece valor a um monumento histórico ou a uma cidade industrial, a um edifício residencial com centenas de moradores ou a hectares de terra com cereais maduros. Tudo e todos podem ser destruídos “por causa das ações operacionais.” Todos os dias, como se estivesse em transe, o mundo inteiro contempla a barbárie, a decadência moral e a vilania dos agressores. A Ucrânia, por outro lado, defende-se, porque o seu povo, de uma vez por todas, recusou tornar-se escravo, tentando simplesmente viver em liberdade a vida e a dignidade que Deus lhe deu. Ninguém ouse a tirar-lhe isso – assim diz o Senhor.

A Ucrânia não quer conquistar ou humilhar a Rússia. A Ucrânia quer que o vizinho agressor – com um território 28 vezes maior, que se estende por 11 fusos horários e uma população quase quatro vezes maior – pare com as suas tentativas seculares de escravizar e destruir a Ucrânia, libertando-se da patologia do imperialismo e tornando-se um estado de direito que respeita os direitos dos outros. O ladrão tem de sair de nossa casa! A Igreja Ortodoxa Russa deve parar de promover ideologicamente a heresia do “mundo russo”! Num momento em que várias Igrejas cristãs repensam com arrependimento o seu papel histórico na política do colonialismo e na prática da escravidão, a Igreja Ortodoxa Russa está a levar os seus fiéis às trevas morais da violência, agressão e crimes de guerra. O sal perdeu o sabor e a luz deixou de brilhar (cf. Mt. 5:13-16).

A guerra do invasor causou uma catástrofe humanitária e ecológica, uma crise económica e demográfica no nosso país. Em cinco meses, cerca de nove milhões de residentes deixaram a Ucrânia, em particular, dois milhões de adultos e crianças foram deportados à força para a Rússia pelo invasor e cerca de sete milhões foram forçados deslocar-se internamente, 15,6 milhões carecem de apoio humanitário. Milhares de famílias estão separadas por quilómetros e fronteiras. O número de viúvas e órfãos aumenta diariamente. O agressor está a fazer de tudo para tornar nossa Pátria um território inabitável, cidades e regiões estão desertas. A escala dessa enorme alteração demográfica está para além da nossa compreensão, mas sentiremos seus efeitos por décadas.

A tragédia da guerra feriu direta e profundamente a nossa Igreja. Algumas das nossas paróquias foram ocupadas e saqueadas. Afinal, ao longo dos séculos passados, cada vez que a bota do invasor russo – seja ele czarista, soviético ou putinista – pisou em nossa terra, a Igreja Greco-Católica Ucraniana foi perseguida e destruída. No entanto, em todas as vezes, dando testemunho da sua fé e mostrando perseverança na perseguição, pela vontade do Senhor, ela foi restaurada com uma nova força. Acreditamos e sabemos que desta vez também será assim. Expressamos solidariedade e apoio aos nossos bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e leigos que estão na linha da frente e nos territórios ocupados, ou foram forçados a deixar suas casas e paróquias. Acreditamos que regressarão às suas casas, e as nossas paróquias irão reviver e desenvolver-se. Expressamos palavras de fraternidade e solidariedade aos católicos romanos, ortodoxos, protestantes, judeus e muçulmanos da Ucrânia que estão sob ameaça mortal, não menos do que nós. Permaneceremos juntos!

A coragem e a unidade do nosso povo na defesa de sua independência foram surpreendentes até mesmo para muitos ucranianos, para não mencionar os outros países. Heroica resistência militar, dedicação e sacrifício de voluntários, unidade e unanimidade das comunidades religiosas, que se tornaram importantes centros de ajuda mútua e amor ao próximo, provam que tal povo não pode ser escravizado.

Eles queriam enterrar-nos, mas não sabiam que somos sementes. Este ditado tornou-se um slogan da indomabilidade, resiliência e força de resistência às dificuldades que os ucranianos estão a demonstrar. Ecoa o ditado do escritor cristão Tertuliano: “O sangue dos mártires é a semente da Igreja”. Nós inclinamos nossas cabeças perante todos aqueles que se sacrificaram e estão a sacrificar-se para proteger os inocentes, para defender a verdade, para defender nossa sagrada dignidade humana dada por Deus.

Um sacrifício tremendo e doloroso, porque é autêntico e pascal, gera frutos abundantes e vivificantes. No meio da morte que o inimigo semeia por toda parte com todo o seu arsenal de malícia e ódio, brotam rebentos de força e nobreza imensuráveis. Deus acendeu as almas dos ucranianos com fé na vitória da verdade de Deus. Numa era de ditadura relativista, os ucranianos claramente chamam as coisas pelo nome: há verdade, bondade, princípios e valores pelos quais se deve viver e pelos quais se pode até morrer, assim como há mentiras e maldade insidiosa. A Ucrânia uniu a Europa, curou as suas fissuras e inspirou pessoas de boa vontade em todo o mundo. As Sagradas Escrituras ganham vida diante dos olhos da humanidade e o Senhor da história manifesta um milagre: David confronta Golias. Soldados ucranianos que protegem do ataque as suas cidades natais, a vida de familiares e entes queridos, a liberdade e a dignidade do povo, juntamente com David dizem: “Tu vens a mim com uma espada, uma lança e um dardo, mas eu irei a ti em nome do Senhor dos exércitos… a quem desafiaste” (1 Sam. 17:45). Expressamos o nosso sincero reconhecimento a todos aqueles que abnegadamente defendem a verdade e a justiça.

Agradecemos aos sacerdotes-capelães que, arriscando suas vidas, estão ao lado de nossos defensores, rezam com eles, levam Cristo até eles e prestam apoio humanitário.

Através do seu sofrimento e luta desesperada pela existência, a Ucrânia tornou-se o epicentro das mudanças globais. Muitas pessoas e nações estão a perder os seus antolhos: torna-se claro que os recursos baratos não valem o custo de capacitar ditadores; que o sistema de segurança mundial está enfraquecido e a paz ameaçada se, em nome da prosperidade, não for dada atenção aos princípios divinos e o comportamento dos violadores for ignorado; que nenhum homem ou país é uma ilha distante, mas que toda a humanidade está interligada em diferentes níveis, e se a injustiça é feita a um país, os outros não podem ficar indiferentes. “Nunca mais” passa de slogan histórico a um imperativo moral.

Pela vontade de Deus, a verdade tornou-se clara e a mentira desapareceu, porque “nenhuma mentira é da verdade” (1 João 2:21). O próprio facto da agressão não provocada da Rússia, reforçada pelos crimes de guerra dos invasores russos, causou uma enorme onda de apoio aos ucranianos no mundo. O nível sem precedentes de assistência humanitária aos refugiados e deslocados temporários é um testemunho autêntico do amor cristão: “Era refugiado e vós me recebestes; Estava em aflição e vós viestes em meu auxílio” (cf. Mt. 25:35-36). Por esta hospitalidade e generosidade de vários povos, Igrejas, bispos, sacerdotes, monges e freiras, fiéis leigos e pessoas de boa vontade em vários países de vários continentes, expressamos a nossa profunda gratidão. Também expressamos os nossos sinceros agradecimentos aos conventos, ordens religiosas e congregações, na Ucrânia e no exterior, que acolheram milhares de pessoas deslocadas à força e partilham com elas tudo o que têm. Como nos tempos das primeiras comunidades cristãs, a abundância alguns superou a necessidade de outros (cf. 2 Cor. 8:14).

Nos dias de hoje, perguntamo-nos: o que nos dá força para lutar e resistir a um inimigo que nos supera dez vezes em poder militar? Se reformularmos a pergunta para “quem” nos dá força, então a resposta torna-se óbvia. Deus dá-nos força porque Ele é o Senhor dos poderes. Porquê? Porque nós amamos! O poder dos ucranianos é o poder do amor. Os nossos soldados são guiados pelo princípio, não de odiar os outros, mas de amar os próprios – filhos, entes queridos, pais, amigos, terra, ruas onde nasceram, amanheceres, neblinas… O amor manifesta-se no trabalho incansável dos voluntários, nas generosas doações de milhões, na sincera oração silenciosa. E através deste amor já vencemos.

Este terreno moral elevado deve ser preservado. Só venceremos se continuarmos a amar, se não desviarmos nem um pingo da fórmula bíblica para esta vitória: “Sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1 João 3:14). O amor gera heróis mas o ódio gera criminosos. A crueldade da guerra desumaniza e, por isso, nós, como nação que se defende e como Igreja que une o povo na família de Cristo, devemos fazer todos os esforços para preservar a nossa dignidade e humanidade, sem nunca nos rebaixarmos à desumanidade e atrocidades do agressor. Protejamos do mal os corações dos nossos soldados, para que permaneçam guerreiros da luz e do bem! Vamos proteger os nossos próprios corações! Transformemos a nossa raiva e o nosso ressentimento em coragem, indomabilidade, verdadeira sabedoria e na vitória da verdade de Deus. São Paulo exorta-nos: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12,21).

Como ser Igreja?

Os princípios que adotamos na Carta Pastoral de 2021, “A esperança a que o Senhor nos chama”, refletindo sobre o nosso futuro e estabelecendo as prioridades pastorais da nossa Igreja para a próxima década, vêm à superfície e adquirem um significado particular perante o cenário da guerra. Aproveitando a experiência da pandemia, que afetou profundamente os vínculos e as estruturas sociais, enfatizamos a necessidade de conversão pastoral, de construção de redes de comunhão, de cura de feridas e de proximidade e atenção prática aos pobres e marginalizados. Com base na experiência das nossas comunidades, buscamos descrever uma metodologia e a guerra criou um contexto em que cada um de nós pode refletir mais profundamente sobre o que essa metodologia e esses princípios significam e a que conclusões práticas e ações eles levam.

Nossa conversão pastoral significará estar perto de nossos fiéis – no sofrimento, na dor, nas provações, na morte. “Se um membro sofre, todos sofrem juntamente” (1 Coríntios 12:26). A expressão “cheirar a ovelha” retorna ao seu significado cristão original e radical – dar a vida pelo curral confiado. A guerra leva-nos a continuar construindo laços de solidariedade entre pessoas, paróquias e países com novo fervor e resiliência; feridas novas, até agora inéditas, exigirão de todos a oração persistente e o trabalho generoso, para que, com o óleo da misericórdia divina e da compaixão humana, sejam curadas e transformadas em fontes de esperança; enquanto ajudar os pobres e marginalizados exigirá de nós novas abordagens e criatividade no amor.

Em outubro de 2021, na abertura do Sínodo dos Bispos da Igreja Católica, o Papa Francisco enfatizou que somos chamados à unidade, à comunhão, à fraternidade, que aparecem justamente quando percebemos que somos todos igualmente abraçados pelo amor de Deus. Por outras palavras, a nossa unidade ou solidariedade não é uma construção social, mas a nossa identidade em resposta ao amor de Deus. “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1 Jo. 4:8).

A guerra ensina-nos de forma radical, através da dor, dos sacrifícios e do sofrimento que traz a cada dia, a ser a Igreja de Cristo: acreditar inabalavelmente no poder do bem e viver com amor ativo. “Pois quem não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1 Jo 4:20).

Somos chamados a ser uma Igreja próxima

Na Ucrânia e no exterior, as nossas paróquias criam redes de oração e apoio. Junto com as orações pela paz, resgate, feridos e caídos, ressoam apelos para recolha de doações, encontrar voluntários ou embalar e desembalar recursos materiais. O trabalho difícil e meticuloso continua. Através do testemunho da Igreja e dos nossos fiéis em vários países do mundo, a verdade está a ser difundida e cresce a consciência do que as pessoas na Ucrânia estão a viver. Uma igreja que está próxima do sofrimento, da dor humana, está viva e não se tornará um museu.

Somos chamados a ser uma Igreja que escuta

Capelães e padres, representantes do monaquismo ou fiéis leigos, que trabalharam com aqueles que sobreviveram à ocupação, bombardeio, mutilação ou perda de familiares, notam que as palavras de consolo mais importantes são “eu estou contigo!” Contacto, atenção, humanidade, oração – estas são as principais ferramentas para o cuidado pastoral em tempo de guerra. Ouvir o outro, ouvir a sua história, aceitar a sua dor – nas nossas circunstâncias, isso é o que significa ser Igreja.

Somos chamados a ser uma Igreja que cura as feridas

Durante a sua missão terrena, Cristo curou os cegos, aleijados, possessos, a fim de finalmente curar a humanidade e todo ser humano da doença, da morte e do pecado. Cristo entregou à Igreja o seu ministério de curar feridas, de reabilitar o outro. Em tempo de guerra, a cura de feridas espirituais, lidar com traumas e angústias, é uma das tarefas primordiais da Igreja e dos seus ministros. “Carregais os fardos uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6:2). As feridas e traumas das pessoas a quem somos chamados a servir são, na sua maioria, visíveis e evidentes, mas às vezes estão escondidos ou envoltos em bandagens de raiva, medo ou desapego fingido.

A Igreja, ela mesma ferida pelo sofrimento e pela dor do desastre da guerra, é chamada a levar a todos os necessitados e feridos a graça medicinal do Espírito Santo nos Santos Mistérios (Sacramentos) e no acompanhamento espiritual, o remédio da consolação e amor misericordioso. Nas feridas humanas reconhecemos as feridas do nosso Salvador e, ao tocar o sofrimento humano, redescobrimos o contacto com Cristo ressuscitado, cujas feridas se tornaram um sinal da vitória final de Deus sobre as forças obscuras e destrutivas do pecado.

Assim, em Seu Filho, crucificado pelos pecados de todos os homens e ressuscitado dos mortos pelo poder do Espírito Santo, o próprio Deus Pai vem ao encontro de Seus filhos que sofrem e transforma a paciência humana em fonte de esperança e vida eterna. A palavra de Deus, pela boca do apóstolo São Paulo, assegura-nos isso: “Mas, se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos. Sabemos que Cristo, ressuscitado de entre os mortos, já não morrerá; a morte não tem mais domínio sobre Ele. Pois, na morte que teve, morreu para o pecado de uma vez para sempre; e, na vida que tem, vive para Deus.” (Romanos 6:8-10)

Somos chamados a ser uma Igreja que reza pela paz e busca a justiça

“Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou.” (João 14:27) A paz é um dos dons do Espírito Santo e, no meio da dor das notícias angustiantes diárias, a Igreja suplica incessantemente ao Senhor a paz para a sofrida Ucrânia e trabalha em conjunto com os outros para restaurar a paz e a justiça na nossa terra.

Somos chamados a ser uma Igreja que dá esperança

Nós, cristãos, somos pessoas de esperança, não porque “esperamos algo melhor”, mas porque cremos em Deus e na vida eterna para a qual o Senhor nos convida.  A esperança não nos envergonha, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5:5). Paradoxalmente, é precisamente esta fé que nos permite viver plena e profundamente os acontecimentos terrenos, esta guerra em particular. Na perspetiva da eternidade, a realidade quotidiana não se confunde, mas, pelo contrário, adquire contornos claros, o valor sagrado de cada pessoa vem à superfície.

***

Queridos irmãos e irmãs em Cristo! Por causa da pandemia, nós, os bispos da IGCU, não nos víamos pessoalmente há três anos. A alegria do nosso reencontro fraterno foi, no entanto, ofuscada pelos horrores da guerra. Foi a guerra, o sofrimento que ela inflige ao nosso povo e os últimos desafios causados ​​pela agressão militar russa contra nossa Pátria, que estiveram no centro das nossas orações, conversas e reuniões sinodais. Além disso, durante a sessão do Sínodo deste ano, refletimos sobre o tema “Sinodalidade e comunhão: a experiência da IGCU”. No contexto das atuais circunstâncias, este não é um tema abstrato. Pelo contrário, a calamidade que o nosso Estado e nosso povo estão a viver chamou-nos a redescobrir o poder da unidade e a necessidade de uma solidariedade diária e duradoura para a vitória. “Na unidade está a força do povo. Deus, dai-nos a unidade!” Sentimos ainda mais intensamente que fomos chamados a fortalecer a unidade dentro do país e a apoiar os nossos fiéis e todas as pessoas de boa vontade fora das suas fronteiras.

Que o poder e a ação do Espírito Santo nos deem a unidade e a fé inabaláveis ​​na vitória da verdade de Deus!

Que o Senhor fortaleça e abençoe os nossos defensores, voluntários, médicos, funcionários do Serviço de Emergência do Estado, o governo legítimo da Ucrânia e todos aqueles que protegem e libertam a Ucrânia do agressor!

Que Ele abrace as famílias daqueles que morreram, os órfãos e as viúvas, os presos e os desaparecidos em ação!

Que Ele conceda a recompensa eterna e a plenitude da vida aos caídos!

Que o óleo do amor misericordioso cure as feridas físicas, mentais e espirituais das vítimas!

Pelas orações da Santíssima Theotokos e de todos os santos da terra da Ucrânia, que Ele conceda a Sua paz e bênçãos ao mundo inteiro!

A benção do Senhor venha sobre vós.

Em nome do Sínodo dos Bispos da

Igreja Greco-Católica Ucraniana

† SVIATOSLAV

Dado em Przemyśl,

na Catedral da Natividade de São João Batista,

no Dia da Colocação do Precioso Manto de

Nossa Senhora Santíssima e Theotokos em Blachernae,

em 15 de julho de 2022 AD

Fonte: news.ugcc.ua (tradução nossa)

Nota da edição: o Sínodo dos Bispos da IGCU em 2022 realizou-se fora do país, na Polónia, na cidade de Przemyśl.

O nosso destino está nas mãos seguras da Mãe

Palavras do líder da Igreja Greco-católica Ucraniana durante a consagração da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria

Os bispos da Igreja Greco-católica Ucraniana (IGCU), que neste dia realizaram uma sessão extraordinária do Sínodo dos Bispos, rezaram juntos na igreja em frente do Ícone Milagroso da Mãe de Deus de Zarvanytsia, em comunhão com o Santo Padre e o mundo inteiro, através de transmissão em direto.

No final do celebração penitencial, o Papa Francisco leu uma oração de consagração da Rússia, Ucrânia e toda a humanidade ao Imaculado Coração de Maria.

O Ato de Consagração em nome da IGCU foi lido simultaneamente por Sua Beatitude D. Sviatoslav Shevchuk, em em Zarvanytsia, em comunhão com o Santo Padre.

Apelando aos fiéis após a consagração, o líder da IGCU enfatizou a historicidade deste momento: “Cada um de vós dirá aos seus filhos, netos e bisnetos que foi um momento de vitória; o momento, em que colocámos o destino da Ucrânia nas mãos da Santíssima Virgem Maria”.

Sua Beatitude D. Sviatoslav acrescentou que a guerra que a Rússia está hoje a travar contra a Ucrânia é uma luta espiritual entre o bem e o mal. E a consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria é o momento em que acreditamos que o bem vencerá através das orações da Mãe de Deus.

O líder da IGCU explicou o que significa consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria: “A Rússia foi confiada ao Imaculado Coração de Maria porque a Mãe de Deus pediu que este acto fosse feito, uma vez que daquela terra o mal se espalharia pelo mundo e destruiria nações, traria sofrimento às pessoas. Estamos a rezar pelos nossos inimigos para que o Senhor pare a sua mão assassina”. E aqui, em Zarvanytsia, em comunhão com o Santo Padre, confiamos a nossa Ucrânia à proteção da Santíssima Virgem Maria, ao Seu Imaculado Coração, porque sabemos que hoje Ela, a Mãe de Deus, está com a Ucrânia, com o nosso povo sofredor”.

“Hoje, o nosso destino está nas mãos seguras da Mãe”, acrescentou Sua Beatitude D. Sviatoslav.

O líder religioso agradeceu aos bispos da IGCU que se reuniram em Zarvanytsia para este evento histórico, acrescentando que estavam especialmente unidos com D. Vasyl Tuchapets, arcebispo de Kharkiv, D. Stephan Meniok, bispo de Zaporizhia, e D. Mykhailo Bubniy, arcebispo de Odessa. Estávamos a unir-nos, disse ele, com os nossos bispos em todo o mundo, nas nossas comunidades estabelecidas na Europa Ocidental, América do Norte e do Sul, Austrália, e com bispos católicos em todo o mundo.

“Hoje sentimos que o mundo inteiro está connosco. Obrigado a todos por participarem hoje neste evento histórico… A nossa gratidão flui para com o Santo Padre Francisco, com quem vivemos estes momentos únicos”, disse o Primaz.

Após o Ato de Consagração, o líder da IGCU, juntamente com os bispos do Sínodo dos Bispos, conduziu uma tradicional oração do terço de Zarvanytsia.

Departamento de Informação da IGCU

Fonte: news.ugcc.ua/en/news (a tradução é nossa, assim como as hiperligações)

Católicos ucranianos invocam São Miguel Arcanjo na luta contra o demónio agressor

Acanjo São Miguel, patrono da cidade de Kiev. Imagem locallizada na Praça da Independência, na capital da Ucrânia.

Hoje, mais uma vez, desejo agradecer e abençoar de todo o coração o exército ucraniano, nossos soldados, rapazes e moças que defendem a paz na Ucrânia, graças aos quais ainda estamos vivos hoje, no nono dia da guerra, graças aos quais a Ucrânia está vencendo, a Ucrânia resiste, a Ucrânia combate.

A Ucrânia, além disso, reza, resiste em oração. Aqui em Kiev, sentimos claramente que o santo padroeiro de nossa cidade é o Arcanjo Miguel Arquiestrategista, a quem chamamos aquele que, como Deus, lançou no abismo Lúcifer, o líder do exército do diabo que se rebelou contra a verdade de Deus.

Hoje vemos que o Arquiestrategista Miguel está a lutar pela Ucrânia com todo o exército celestial.

Muitas pessoas de diferentes partes da Ucrânia compartilham as suas experiências comigo: vimos anjos brilhantes sobre a terra ucraniana.

Hoje rezamos:

“Arquiestrategista Miguel e todo o exército celestial, todas as forças celestes incorpóreas, lutem pela Ucrânia, expulsem o diabo que nos ataca, nos mata, nos traz destruição e morte!”

Arcebispo-Mor Sviatoslav Shevchuk, no nono dia da invasão russa; in Vatican News, 04/03/2022.

Basto 03/2022

Mensagem do líder dos católicos ucranianos aos seus compatriotas

Amado povo da Ucrânia protegido por Deus!

Mais uma vez, o nosso país volta a estar em perigo!

O inimigo traiçoeiro, apesar dos seus próprios compromissos e garantias, quebrando as regras básicas do direito internacional, pisou o solo ucraniano como um agressor injusto, trazendo consigo morte e destruição.

A nossa Ucrânia, que o mundo justamente apelidou de “terras de sangrentas”, tantas vezes aspergida com o sangue de mártires e lutadores pela liberdade e independência do seu povo, chama-nos hoje a defender a nossa pátria, a nossa dignidade diante de Deus e dos homens, o nosso direito de existir e o direito de escolher o nosso futuro.

É nosso direito natural e dever sagrado defender a nossa terra e o nosso povo, o nosso estado e tudo o que nos é mais caro: família, língua, cultura, história e mundo espiritual! Somos uma nação pacífica que ama os filhos de todas as nações com amor cristão, independentemente da origem ou crença, nacionalidade ou identidade religiosa.

Não invadimos os outros e não ameaçamos ninguém, mas não temos o direito de dar o que é nosso a ninguém! Neste momento histórico, a voz da nossa consciência chama-nos a resistir juntos por um Estado Ucraniano livre, unido e independente!

A história do século passado ensina-nos que todos aqueles que iniciaram as guerras mundiais as perderam-nas e que os idólatras da guerra trouxeram apenas destruição e declínio para seus próprios estados e povos.

Acreditamos que neste momento histórico o Senhor está connosco! Ele, que tem nas mãos o destino do mundo inteiro e de cada pessoa em particular, está sempre do lado das vítimas de agressões injustas, dos sofredores e dos escravizados. É Ele quem proclama o Seu Santo Nome na história de cada nação, captura e derruba os poderosos deste mundo com o seu orgulho, os conquistadores com a ilusão da sua onipotência, os orgulhosos e insolentes com a sua autoconfiança. É Ele quem concede a vitória sobre o mal e a morte. A vitória da Ucrânia será a vitória do poder de Deus sobre a mesquinhez e a arrogância do homem! Assim foi, é e será!

A nossa Santa Igreja Mártir sempre esteve e sempre estará com o seu povo! Esta Igreja, que já sobreviveu à morte e à ressurreição, como o Corpo de Cristo Ressuscitado, sobre o qual a morte não tem poder, foi dada pelo Senhor ao seu povo nas águas batismais do rio Dniepre.

Desde então, a história do nosso povo e da sua Igreja, a história das suas lutas de libertação, a história da encarnação da Palavra de Deus e a manifestação do Seu Espírito de Verdade na nossa cultura ficaram entrelaçados para sempre. E neste momento dramático, a nossa Igreja, como mãe e professora, estará com os seus filhos, protegê-los-á e servi-los-á em nome de Deus! Em Deus está a nossa esperança e Dele virá a nossa vitória!

Hoje proclamamos solenemente: “Vamos entregar as nossas almas e os nossos corpos pela nossa liberdade!” Hoje rezamos com um só coração e uma só boca: “Grandioso Deus, Uno, protegei nossa amada Ucrânia.”

Santos justos, mártires e confessores da terra ucraniana, rogai e intercedei por nós diante de Deus!

A benção de Deus esteja sobre vós!

† Sviatoslav

Dado em Kiev

na Catedral Patriarcal da Ressurreição de Cristo,

24 de fevereiro de 2022 AD

In Página oficial da Igreja Greco-Católica Ucraniana, 24/02/2022 (tradução livre).

Mensagem publicada por D. Sviatoslav Shevchuk poucas horas depois do início da invasão russa.

Basto 02/2022

Arcebispo ucraniano adverte contra o apaziguamento dos separatistas apoiados pela Rússia quando os combates se intensificam

sviatoslav

Por Catholic News Service

Com a intensificação dos combates no leste da Ucrânia, o Arcebispo-mor da Igreja Católica Ucraniana advertiu contra as atitudes de “apaziguar o agressor” na guerra contra os separatistas apoiados pelos russos, que já dura há cinco anos.

“Por mais que tentemos curar as feridas da guerra, não disso terá um efeito definitivo até que o agressor pare de infligir essas feridas.”

Assim explicou o Arcebispo-mor Sviatoslav Shevchuk, de Kiev-Halic, acrescentando:

“Paz não pode significar capitulação e submissão – isso seria uma imitação de paz com consequências piores do que a própria guerra. […] Seria apenas uma mudança na maneira como as pessoas são feridas.”

O arcebispo prestou estas declarações à agência de notícias ucraniana Censor.net, no dia 14 de agosto, na mesma altura em que as agências internacionais davam conta de novas mobilizações e bombardeamentos de forças apoiadas pela Rússia no leste da Ucrânia, inclusive em torno do porto sitiado de Mariupol, no Mar de Azov.

Afirmou ainda que o conflito nas auto-proclamadas “repúblicas populares” de Donetsk e Luhansk “abriu uma cicatriz viva” na sua Igreja, deixando 11 paróquias sob controlo separatista e impossibilitando o bispo local de regressar à região ao longo dos últimos cinco anos.

Outras cinco paróquias católicas na Crimeia, anexadas à força pela Rússia em 2014, têm funcionando agora sob “o cuidado pessoal” do Vaticano, disse o arcebispo Shevchuk.

“Eu tentei dar voz àqueles que sofrem com esta guerra e transmitir o que deve ser uma verdadeira paz.”

O líder dos católicos ucranianos disse ainda:

“Nós sabemos, da história, que apaziguar o agressor apenas alimenta seu apetite. É muito importante falar sobre a dor que o nosso povo sofre e lembrar, quando negociamos com um agressor destes, os olhos de uma mãe que perdeu o seu filho na guerra. Nós devemos ser a voz dessas pessoas afetadas. Até que sejam honradas e compensadas ​​pelo mal que lhes fizeram, que justiça poderão elas esperar?”

A Organização das Nações Unidas (ONU) diz que pelo menos 13.000 soldados e civis foram mortos e 30.000 feridos durante o conflito no leste da Ucrânia, onde 60.000 tropas ucranianas se mantêm ao longo de uma linha de 400 quilómetros, frente a 35.000 separatistas, mercenários estrangeiros e militares russos.

Nos dias 14 e 15 de agosto, o Ministério da Defesa da Ucrânia denunciou 25 violações do cessar-fogo de 21 de julho.

Uma missão especial da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) denunciou que desaparecera um drone de reconhecimento sobre Obozne, uma localidade ocupada pelos separatistas a norte de Luhansk, e que havia documentado a mobilização de tanques, obuses e armas antitanque para além das linhas de retirada estabelecidas, violando os acordos assinados em Minsk, Bielorrússia, em 2014 e 2015.

Na sua entrevista ao Censor.net, o arcebispo Shevchuk disse estar satisfeito por o presidente Volodymyr Zelenskiy, um ex-ator e humorista eleito em maio, encarar a guerra como “o seu desafio mais importante” e estar pronto para escutar a posição dos católicos ucranianos através de conversas e partilha.

“A Ucrânia está a sofrer porque um agressor deseja destruir nosso Estado – um Estado que é um bem comum, não apenas para os ucranianos na Ucrânia, mas para todas as pessoas, independentemente da pertença religiosa ou nacional.”

As igrejas católicas orientais e latinas da Ucrânia, juntamente com 50 associações religiosas e organizações de direitos humanos, subscreveram uma petição de 25 de julho dirigida à ONU, à União Europeia e a outras organizações internacionais, instando a Rússia a libertar os reféns e prisioneiros de guerra, a acabar com a “perseguição política” na Crimeia e no leste da Ucrânia e ainda a permitir a liberdade religiosa e o acesso irrestrito a observadores internacionais.

A edição original deste texto encontra-se publicada no Crux com a data de 16/08/2019. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação. Sempre que possível, o texto deve ser lido na sua edição original. A imagem não faz parte da publicação original.

Basto 08/2019

“Milagre” de São Januário realiza-se nas mãos do líder da maior Igreja Católica Oriental

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In Religious Information Service of Ukraine, 21/11/2018.

Durante a visita de D. Sviatoslav Shevechuk a Nápoles, o sangue de São Januário liquefez-se completamente no momento em que o líder dos católicos ucranianos segurava o relicário. O “milagre” aconteceu no dia 18 de novembro, portanto, fora das datas em que costuma ocorrer todos os anos.

“Temos de vos anunciar uma importante mensagem: o sangue de São Januário tornou-se líquido nas mãos de Sua Beatitude D. Sviatoslav”.

(Declaração dos Guardiões das Relíquias em 18 de novembro; in RISU, 21/11/2018)

O fenómeno aconteceu no final da liturgia, quando o arcebispo ucraniano transportava a relíquia, em procissão, para o seu lugar habitual. Sviatoslav confessou que, enquanto transportava o relicário, orou a São Januário “pelo fim da guerra na Ucrânia” e pela “proteção do povo ucraniano”.

Tradicionalmente, o sangue de São Januário liquefaz-se duas vezes por ano, a 16 de maio e a 19 de setembro.

Basto 11/2018

D. Sviatoslav Shevchuk, em Fátima, consagra a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria

Durante a Eucaristia a que presidiu na Basílica da Santíssima Trindade, no Santuário de Fátima, no passado dia 23 de outubro, o líder dos católicos ucranianos consagrou a sua nação e o mundo ao Imaculado Coração de Maria.

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D. Sviatoslav Shevchuk no Santuário de Fátima no dia 23 de outubro de 2016 – news.ugcc.ua, 24/10/2016

Hoje sinto o dever de responder ao vosso apelo: consagrar a Ucrânia, o nosso povo e outras nações do mundo ao Imaculado Coração de Maria e oferecermo-nos todos sob o seu manto. Porque sabemos que somente através da mortificação pessoal e da luta contra o pecado podemos vencer esta guerra, na qual estamos agora envolvidos.

Quereis, através da vossa mortificação pessoal e penitência, participar na luta contra o pecado? Estais prontos para oferecer as vossas dores e sofrimentos pela conversão dos pecadores? Estais prontos para, através das lágrimas e dos sofrimentos da Ucrânia, pedir perdão a Deus por tantas ofensas com que nós e outras nações O magoamos?

(D. Sviatoslav Shevchuk, em Fátima, a 23 de outubro de 2016)

Os presentes responderam: “Sim” e Sua Beatitude D. Sviatoslav Shevchuk prosseguiu.

Maria, estamos hoje diante de vós e consagramo-nos ao vosso Imaculado Coração, e oferecemos, sob o vosso manto, a Ucrânia e outras nações da Europa Oriental e do mundo. Nós vos oferecemos a nossa dor e todos os sofrimentos da Ucrânia porque somente através da conversão e do arrependimento obtemos a paz. Aceitai o nosso sacrifício e salvai o nosso povo, a nossa terra e o mundo do pecado e da morte.

(D. Sviatoslav Shevchuk, em Fátima, a 23 de outubro de 2016)

A sua peregrinação a Fátima fez parte do programa do encontro dos bispos das Igrejas Católicas de Rito Oriental na Europa que teve lugar em Portugal por iniciativa do Conselho de Conferências Episcopais da Europa.

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D. Sviatoslav Shevchuk, D. Leonardo Sandri e D. Manuel Clemente – news.ugcc.ua, 21/10/2016

Outro momento de grande simbolismo aconteceu quando D. Sviatoslav Shevchuk ofereceu a D. Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa, um ícone oriental de Nossa Senhora de Fátima produzido numa das zonas “ocupadas” da Ucrânia.

O ícone oferecido é, aparentemente, idêntico ao famoso ícone russo de Nossa Senhora de Fátima. Este ícone sintetiza a tradição litúrgica oriental, bizantina, com a devoção ao Imaculado Coração de Maria e à Nossa Senhora do Rosário, que são de origem ocidental, latina.

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Agência Ecclesia, 20/10/2016

 

“Hoje, a Ucrânia vive um momento muito doloroso, um momento de guerra”, disse o arcebispo, para quem este encontro representa uma “peregrinação espiritual a Nossa Senhora de Fátima”, recordando que a mensagem da Cova da Iria é vista pela Igreja de Leste como uma “profecia”.

“Pedimos à Santíssima Virgem que nos ajude”, declarou.

(D. Sviatoslav Shevchuk in Agência Ecclesia, 20/10/2016)

De facto, enquanto os católicos de rito latino tendem a olhar para os erros e os castigos da Rússia como algo do passado, ou então do futuro, os católicos orientais, nomeadamente os ucranianos, já os sentem na pele agora, no presente momento da história, mas também os sentiram no passado e de que maneira… São eles quem mais anseia hoje, como no passado, a profetizada conversão da Rússia.

A presença na Cova da Iria do líder da segunda maior das 24 Igrejas particulares que compõem a Igreja Católicaa maior das Igrejas Orientais é um acontecimento grande no contexto da mensagem de Fátima, principalmente depois de conhecermos o propósito que o levou ali. Ainda assim, este enorme acontecimento passou praticamente despercebido, o que se calhar até dá jeito à ostpolitik vaticana para com a Rússia, ou não fossem os greco-católicos ucranianos a principal pedra no sapato daqueles que tentam el encuentro entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa Russa. O simbolismo desta visita é ainda maior quando sabemos que, 99 anos depois das aparições de Fátima, os ucranianos são hoje uma das maiores e mais integradas comunidades de imigrantes em Portugal.

No vídeo abaixo, D. Sviatoslav preside à liturgia pelos heróis que padeceram na Praça de Maidan. A celebração teve lugar na Igreja Ecuménica do Imaculado Coração de Maria e dos Mártires Ucranianos, no Dia da Unidade Nacional que se celebra a 22 de fevereiro.

Basto 11/2016